ainda poesia


I Concurso ainda há poesia – Resultado Final

Agradeço a generosidade de todos os concorrentes, que se dispuseram a participar do concurso com grande empenho. Houve candidatos de todo o Brasil, alguns da África, outros de Portugal e uma candidata do Japão. Recebi poemas em forma livre, sonetos, haicais e poemas concretos. Houve poesia erótica e poesia engajada, sobretudo tratando das recentes manifestações populares no Brasil. Outros tiveram a atenção de compor especialmente para o concurso. Muito obrigado a todos.

Os finalistas, especialmente os vencedores, estão de parabéns! Foram selecionados dentre 353 concorrentes! Isso pode ser um estímulo para prosseguir escrevendo. Mas tenho grande esperança de que os demais concorrentes não se sintam desmotivados. Sem falta modéstia, tenho experiência em julgar, o que aliás decorre do meu ofício. Para quem não sabe, sou Juiz de Direito. Mas reconheço que os julgamentos estéticos, inclusive os de poesia, são especialmente delicados. Diariamente “julgo” poesia na qualidade de leitor, estudioso de poesia e poeta. Uma simples cesura do verso é absolutamente relevante. E por isso quero concluir dizendo a todos os concorrentes que, ao final de tudo, o que mais importa é a opinião que cada poeta tem de sua própria obra. Ninguém pode substituir essa voz individual que vai se aprimorando com a vivência, com a prática, com a leitura de poesia, contemplação de outras formas artísticas e, quem sabe, com o estudo da teoria literária. Vamos continuar escrevendo...   



Escrito por aindapoesia - Vinícius Bovo às 21h56
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Sem direcionar a leitura das obras, eu gostaria de enfatizar algumas qualidades dos poemas vencedores.

Em Lágrimas, Sheila Farias conseguiu impor múltiplos significados em apenas 08 sílabas poéticas: rios e risos são construídos e desconstruídos simultânea ou alternativamente. Por exemplo, as lágrimas que constroem rios, desconstroem risos. E as lágrimas de felicidade, constroem os risos, tudo incluído no ciclo da água.

A insônia ordinariamente causa tédio, às vezes surto criativo. Mas a Insônia de Valquíria Cardarelli revela uma espera tensa, palavra que se relaciona, por aliteração, a toda, eterna e teia. Disso pode decorrer que a espera tensa revela iminência de algo, feito a da aranha esperando a presa em sua teia armada, vale dizer: tensa. E na espera inerte (observando a aranha), a consciência de que as coisas deslizam (como a aranha) a um resultado fatídico (embora ignorado), que virá com o romper do dia.

LIELE, de Cleonice Rufato Grabner, é diferente. Nele há uma narrativa - o que é menos comum em poesia – na qual o eu-lírico desdobra-se em duas vozes. Sim, porque Liele fala numa sintaxe muito peculiar e dialoga com a “narradora”. A divergência entre as vozes evidencia-se também na preponderância alternada entre os mesmos elementos : “O Rio da casa de Liele” e a “Minha casa não tem rio!” O rio é integrado pela casa ou a casa faz parte do rio? A importância de ter um rio em casa ou perto de casa é enfatizada através de assonâncias e aliterações vinculando as palavras que sintaticamente também se relacionaram ao rio: casa, graça, divaga e garça. Ao final, a conclusão de que “Sem Liele” (e sua concepção de mundo) “Rio triste”: verso prenhe porque rio pode ser verbo ou substantivo e, por consequência, triste seria advérbio ou adjetivo. Logo, a “narradora” ri tristemente, com tristeza (rio triste) e/ou o rio sem Liele é triste (rio triste) !   



Escrito por aindapoesia - Vinícius Bovo às 21h53
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1º lugar:

 

LIELE

 

Liele é diferente

dum lugar especial

Puro paraíso

O Rio da casa de Liele:

Guaporé

Liele pergunta

Seu Rio tem casa?

Liele não entende casa sem Rio

Minha casa não tem rio! Digo

Liele encabula

Casa sem Rio, eheh, casa sem Rio!

Não tem Rio?

Só casa?

Sem Rio, que graça?

Casa sem Rio.

Liele olha e divaga

Vejo uma garça

Sem Liele

Rio triste.

 

                                                Cleonice A. Rufato Grabner



Escrito por aindapoesia - Vinícius Bovo às 21h51
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2º lugar:

Insônia

 

eu espero

o dia

tensa

observando a aranha

toda negra

deslizando

eterna

na teia


   Valquíria Cardarelli



Escrito por aindapoesia - Vinícius Bovo às 21h48
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3º lugar

Lágrimas

(Des)
construindo
ri(s)os

Sheila Felipe Farias



Escrito por aindapoesia - Vinícius Bovo às 21h46
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Concurso ainda há poesia  

 

Os  11 finalistas ( por ordem alfabética de título)

 

Dentre eles selecionarei os três vencedores. Amanhã o resultado final.

 

Esperas – Elias Antunes

Insônia – Valquíria Cardarelli

Jantar no Clube Comercial – Diego Saldanha

Lágrimas – Sheila Felipe Farias

Liele – Cleonice A. Rufato Grabner

O Espetáculo – Lanio

Pensei em te dizer – Rafael Cal

Rima com Tubaína – (A)tormentos singulares

Solidão contra cinza – Lucas Montenegro de Sousa

Sonhos de Kurosawa -  Flávio Machado

TINTO – Karline Batista



Escrito por aindapoesia - Vinícius Bovo às 06h55
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Concurso ainda há poesia – julgamento

Interessante e difícil. Assim tem sido selecionar os vencedores dentre os 353 poemas inscritos. Interessante porque há muita variedade de formas e, digamos “temas”. As poesias que chamarei de líricas preponderam, aquelas que tratam do amor e dos seus arredores, especialmente saudade e solidão. Há também obras metalinguísticas nas quais o poetas escreveram sobre escrever.  A forma livre, sem metrificação e ausente de rimas foi a preferida. Mas houve sonetos inscritos. Admiti-os, acreditando que foram compostos em 07 versos e que os outros 07 foram necessários para expressar o silêncio, conforme admitido pelo edital.

 

A dificuldade consiste no próprio julgamento, com a leitura de todas as poesias pelo menos 03 vezes: a primeira no recebimento do email, a segunda em uma seleção prévia e a terceira para “repescagem” de alguns poemas não classificados, com o objetivo de evitar injustiças.  Encerrada essa fase consegui selecionar 30 poemas, que agrupei sob o título de classificados. Deles pretendi selecionar 10 finalistas. Porém em muitas releituras não consegui reduzir a lista, que teimava em ter 11 poemas. Por isso agora trabalho na apuração dos 03 vencedores.  No edital constou apenas um vencedor, mas considerando a grande quantidade de concorrentes, e acolhendo sugestão de alguns inscritos, resolvi classificar os primeiros em ordem decrescente, sendo que o grande vencedor receberá os livros prometidos. Os demais receberão certificados, conforme me pediram. Os 03 serão publicados aqui no blog. Amanhã  divulgarei a lista dos 11 finalistas.  



Escrito por aindapoesia - Vinícius Bovo às 06h56
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A distância é igual ao tempo

(multiplicado pela velocidade)

 

placidamente

eu-criança-e-meu-pai medíamos

metros, medos, segundos

um-elefante, dois-elefantes, três- em que

o raio raivejava 

da vidraça

 

          aos ouvidos.

 

Vinícius, autor de ainda



Escrito por aindapoesia - Vinícius Bovo às 06h35
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Escrito por aindapoesia - Vinícius Bovo às 00h01
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Concurso ainda há poesia !

Resultado

Tenho recebido emails e comentários indagando a data precisa da divulgação do resultado do I Concurso ainda há poesia !  O blog tem andado parado, como vocês percebem. Tudo decorrente do grande acúmulo de trabalho no meu regresso de férias. Mas estou retomando a frequência da postagens; os poemas estão sendo selecionados. Foram quase 400 inscritos, o que impõe um trabalho dedicado de escolha, com total respeito aos participantes. Espero divulgar o resultado até o final do mês de agosto. Falta pouco! 



Escrito por aindapoesia - Vinícius Bovo às 00h00
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